Análise | The Sinking City – Investigações em um clima lovecraftiano

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8

Ótimo

Há uma grande oferta de jogos lovecraftianos, inspirados nas obras de H.P. Lovecraft. O escritor estadunidense revolucionou o terror com suas histórias. Ele é famoso principalmente por conta do folclore fictício de criaturas como o Cthulhu.

A maioria dos jogos, porém, não consegue passar o clima que os livros carregam, fazendo com que seja raro uma boa adaptação lovecraftiana. A primeira dúvida que tive ao saber de The Sinking City é: será que ele consegue passar esse clima de loucura?

O primeiro ponto interessante em The Sinking City é que ele não se trata de um jogo de terror. Vendo os primeiros trailers, ele pode passar essa impressão, mas logo fica claro que se trata de um jogo investigativo. A desenvolvedora Frogwares é conhecida por uma série de jogos de Sherlock Holmes e The Sinking City segue esse padrão.

Oakmont

O protagonista é Charles Reed, um investigador particular que viaja para Oakmont depois de ser atribulado por visões bastante incomuns. Ele não é o único a viajar para a cidade com esse intuito e pretende investigar a causa dessas visões.

Oakmont é um cenário a parte. Ela foi castigada por uma inundação misteriosa que também trouxe várias criaturas grotescas para a cidade. Tudo é tratado com certa normalidade pelos cidadãos que se habituaram com as particularidades do lugar.

Linhagens familiares com pessoas com traços de macacos e peixes são comuns. Castigos, como ter a boca costurada por causa de fofoca, não são nada demais. Não é raro você estar andando na cidade e encontrar pessoas vestidas com roupas de cultos e tatuagens estranhas. Ou mesmo algumas ameaçando outras com armas no meio da rua, enquanto os transeuntes passam tranquilamente.

Uma das coisas que pensei enquanto jogava é: o quanto essa cidade deve feder. Com baleias apodrecendo ao aberto e lixos espalhados pela rua, Oakmont com certeza não é um bom lugar para turistas. E Charles é lembrado o tempo todo que é um forasteiro e por isso não compreende os costumes do local. Oakmont é a parte lovecraftiana de The Sinking City.

As investigações

Para cumprir seu objetivo principal e saber porque raios você tem visões, Charles deve concluir várias investigações para assim cair nas graças das famílias influentes da cidade.

As investigações são a parte divertida em The Sinking City. Como todo detetive, Charles tem um caderno onde anota as pistas e no game esse caderno é o Livro de Casos. Além disso, há o Palácio da Mente, onde você pode reunir as pistas e fazer deduções.

A parte de deduções permite ao jogador tomar decisões diferentes. Inocentar ou entregar alguém, por exemplo, são decisões que você deve tomar ao longo dos casos. O jogo não irá te punir por elas, mas as escolhas terão consequências diferentes.

Um ponto negativo nessa parte é a falta de uma escolha neutra em alguns casos. Muitas vezes Charles deve tomar algum partido e senti falta da opção de se manter neutro em algumas investigações.

Pesquisas

Em The Sinking City não há as habituais marcações nos mapas que vemos em jogos de mundo aberto. Ao receber uma pista, o jogador que deve encontrar no mapa o endereço e fazer a respectiva marcação.

Para auxiliar, portanto, as pistas no Livro de Casos possuem um ícone que dá uma dica de onde ir a seguir. Ícones com uma rosa dos ventos, significam que a pista se refere a um endereço. Já pistas com um ícone de livro significam que ela deve ser pesquisada em um dos pontos da cidade. São eles:

  • Jornal (para anúncios, propagandas e notícias)
  • Polícia (para crimes, mandados e suspeitos)
  • Prefeitura (para localizações de pessoas, empresas)
  • Biblioteca (para encontrar obras, autores)
  • Hospital (pacientes, médicos e funcionários)

Outro recurso para encontrar pistas escondidas e até salas secretas é o Olho da Mente, que revela itens e partes ocultas no cenário.

Combate

Como já dito anteriormente, o foco de The Sinking City é a investigação. Porém as criaturas de Oakmont fazem parte dos obstáculos a serem enfrentados pelos jogadores. O combate não é o ponto forte do game, pois é impreciso e muitas vezes quebrado. Existem diversas armas que vão sendo conquistadas com o andar das investigações, o ataque corpo a corpo, além de outros itens como bombas e armadilhas.

Não há dinheiro em Oakmont. Após a inundação os cidadãos voltaram a praticar o escambo e a principal moeda da cidade passou a ser munições. Portanto, você deve saber economizá-las e saber quando deve usar e quando deve correr.

A parte de habilidades pode ajudar a melhorar seu desempenho, mas o combate com certeza não é o ponto alto em The Sinking City.

Conclusão

The Sinking City é feliz como inspiração em H.P. Lovecraft, exatamente porque esse não é o foco. O jogo é focado nas investigações tendo os elementos de Lovecraft como adicionais para a história. O clima sinistro e insano pode ser sentido, seja nas missões ou mesmo andando pelas ruas de Oakmont.

Essa análise acabou demorando mais do que esperado por um problema na Epic Store. Como o serviço de save na nuvem ainda não é disponível em todos os jogos, durante uma atualização perdi todo o meu save, tendo de iniciar o jogo novamente. Fora esse grande transtorno, outros bugs que encontrei foram de posição, com monstros ficando presos na parede ou me atingindo quando estavam no andar de baixo.

Apesar de alguns pontos negativos, no final The Sinking City tem um saldo positivo, principalmente pela parte investigativa que é prazerosa de se fazer. Antes de começar a jogar, confira aqui nossas dicas para se dar bem no game.

Positivo

  • Investigações são o ponto forte, sendo divertido cumprir as missões
  • Clima lovecraftiano pode ser sentido nas missões e na própria cidade

Negativo

  • Combate é um ponto fraco do game
  • Em algumas missões uma decisão neutra fez falta

Resumo

Sem marcas no mapa, o jogador deve pensar e agir em The Sinking City percorrendo uma cidade com aspectos macabros e insanos.
8

Ótimo

Amante de livros, séries, mangás e claro, amante de jogos, principalmente aqueles com uma ótima e profunda história. Estuda pedagogia porque precisa trabalhar para comprar os games no lançamento.