Análise | Thronebreaker: The Witcher Tales

Análises PC PS4 Switch Xbox One
9

Incrível

Um conto movido a decisões questionáveis e muito sangue

A primeira vez que tive contato com Gwent foi em 2018, em um evento fechado mostrando seu modo single player: Thronebreaker: The Witcher Tales. A idéia do jogo em trazer um modo diferente do multiplayer me agradou desde o início, mas ainda precisava ver o que a CD Projekt RED nos preparava.

O gameplay

O jogo traz uma visão isométrica, onde o jogador controla o personagem, coleta recursos do mapa, interage com alguns pontos de interesse, como baús de ouro, missões e alguns moradores.

Visão isometrica

O puzzles e batalhas são resolvidas como uma partida de Gwent. Como eu nunca tinha jogado esse título anteriormente, fui me adaptando ao conceito do jogo. O game tem um tutorial bem integrado com a narrativa, o que torna a curva de aprendizado bem suave e divertida.

A mecânica das partidas é bem parecida com a maioria de jogos de cartas. As batalhas podem ter até 3 turnos, onde você compra uma quantidade inicial de cartas e pode trocar entre até 6 delas entre os turnos.

Lista de cartas iniciais

O objetivo principal é acumular a maior pontuação durante os turnos. Não existem pontos de vida e nem turnos de ataque e combate. Temos apenas uma carta para usar por turno, habilidades das tropas e a habilidade especial do líder.

O campo de batalha é dividido em duas partes e cada uma delas tem duas fileiras, uma de corpo-a-corpo e uma de longa distância. Essa diferença só serve para diferenciar algumas habilidades das tropas, pois como comentei, não existe combate direto entre unidades. Cada fileira pode ser afetada por um efeito negativo, como chuva, névoa, geada ou fogo. Esses efeitos causam danos às unidades e permitem que certas tropas causem danos extra a inimigos sob essas condições.

A estratégia se dá pelos tipos de cartas que temos no jogo:

Habilidade do comandante
Existem vários tipos de habilidades que Meve pode ter, como causar dano a unidades, fortalecê-las, embaralhar cartas de volta ao baralho e escolher outras cartas do baralho.

Estandartes
Cada baralho pode ter um estandarte capaz de modificar o fluxo do combate. Elas conseguem reduzir o tempo de carga para a habilidade do líder, causar dano a unidades novas ou tomar unidades inimigas, por exemplo. Elas já são colocadas no seu campo no início do jogo e não podem ser destruídas.

Ornamentos
Considere-as como cartas de feitiços e artefatos. Elas podem causar diversos efeitos como dano a tropas, tomar unidades, fortalecer e curar unidades entre outros efeitos. São essenciais à sua estratégia, pois sempre aparecem na lista de cartas iniciais.

Tropas
São as cartas que ficam permanentemente no campo de batalha. Elas podem ser unidades ou armadilhas para serem colocadas no campo inimigo.

Modo de combate

Durante o jogo, você consegue entrar no acampamento para recrutar novas cartas, melhorar seu acampamento – o que dá acesso a mais recursos por batalha, ou novas cartas ao baralho. É possível conversar com alguns personagens que são recrutados durante a campanha. Esses diálogos revelam muito do passado de cada um.

Acampamento de Guerra

Tá, mas e a história?

Com estamos falando de um jogo para suprir a necessidade de um modo single-player de Gwent, ele teria que ter uma história no mínimo tão boa quanto as dos outros jogos da franquia.

Thronebreaker: The Witcher Tales tira de cena o foco nos bruxos e traz à tona uma rainha: Meve, rainha de Lyria e Rívia. Temos toda a saga sendo contada por um contador de histórias, para agradar um grupo de mercenários que o prendera.

Meve está de volta com sua comitiva real, o Conde Caldwell e o chefe do exército Reynard Oto, quando é atacada por alguns fora da lei. Ela nota que seu reino está jogado ao bandidos e que seu filho, o principe Villen, negligenciou o reino na sua ausência.

Toda história é narrada pelo Contador de Histórias

Durante esse combates ela encontra com o líder dos bandidos, Gascon, o Duque dos Cães, que pra mim foi um dos melhores personagens que apareceram na história. Nesse ponto vemos como a história será conduzida. Ao derrotar o Duque dos Cães, você tem algumas opções que você pode tomar. E essas decisões realmente afetam eventos futuros do jogo.

Decisões questionáveis

A partir desse momento falarei de alguns acontecimentos que aconteceram comigo no jogo, se não quer ter nenhum tipo de spoiler, pule para o próximo tópico.

Após alguns eventos, a Rainha descobre que a nação do sul, Nilfgaard, tenta invadir os povos do Norte. Ela volta para reencontrar com seu conselho para tentar evitar a invasão. Porém por seu seu próprio filho, Villen, e pelo Conde Caldwell, onde se vê destronada, presa e com seu reino entregue aos Nifgaardianos.

Estranhamente a pessoa que a salva a rainha da sua prisão é o Duque dos Cães, Gascon. Ele liberta e a acompanha Meve para fora de Rivia. Nesse ponto do jogo eu já comecei a questionar minhas escolhas. Se tivesse mandado matar Gascon, que rumo a história tomaria? Reynard me salvaria?

Eyck se despedindo do grupo

Esses questionamentos ocorreram por várias vezes em Aedirn, nos confrontos com os elfos ou com a punição que eu daria aos moradores de lá (que dizimaram uns não humanos). Se eu deixava a raiva de uma cavaleira prosseguir sem me envolver ou se impediria sua sede de vingança.

Em Mahakam, quando tive que decidi participar de algumas atividades que me pareciam estranhas, me questionei quando sofri o impacto das decisões ao deixar um dragão viver e perder Eyck do grupo por ferir sua ideologia. Ou quando paguei o preço do sangue de vingança de Rayla, ao obliterar os elfos que tinha poupado e ser moralmente obrigado expulsá-la da comitiva.

Esses não foram os únicos momentos que me questionei, o jogo é cheio deles. Desde Lyria, Aedirn, Mahakam, Angren e Rivia. Ficava horas questionando meu julgamento passado ou pensando no reflexo da decisão que tinha que tomar. E cada vez que aparecia na tela “Dos males, você escolheu um”, notava que não existia uma decisão correta. Sempre alguém pagaria por isso.

Reynard, Meve e Gascon

Música

Um ponto importante que levanto nessa análise do jogo é a sua trilha sonora, pois ela é maravilhosa! Composta por Marcin Przybyłowicz – responsável pelas outras OSTs da série The Witcher, exceto do primeiro game -, Mikolai Stroinski e Piotr Adamczyk.

Cada fase tem uma composição muito boa, as músicas não são irritantes e acompanham muito bem o clima de cada ponto da jornada. O clima de caos em Aerdirn foi bem executada em Among the Ashes, Claws and Scales com os sons de feras e Homecoming conduzindo a história para seu capítulo final.

Localização

Normalmente, jogo as obras nos seus idiomas originais ou em japonês, caso o jogo seja de uma softhouse japonesa, mas decidi escolher por jogar dublado em português, com legendas em português e não me decepcionei.

As dublagens estão muito boas, combinaram com boa parte dos personagens: o ar de preocupação de Reynard, a arrogância do Conde Caldwell, o jeito debochado de Gascon. Todos essas dublagens deram vida aos personagens.

Lista de dubladores

Conclusão

Mesmo após as longas 50 horas que gastei, eu terminei o jogo com vontade de recomeçar e explorar outras decisões. “O que aconteceria se eu tivesse tomado a decisão X nesse ponto” ou “Será que a decisão que tomei em Aedirn foi a correta? Qual desfecho terá se eu fizer Y”. Esses foram meus pensamentos quando os créditos subiram.

Thronebreaker: The Witcher Tales trouxe uma experiência muito boa. Todas as ações que tomei e relações que fui adquirindo com os personagens moldavam minhas decisões futuras. Essa construção da minha rainha Meve foi essencial para as escolhas que tomei. E isso é uma das grandes sacadas do game.


Análise feita com a versão para Nintendo Switch fornecida pela CD Projekt RED.

Positivo

  • História
  • Trilha sonora
  • Dublagem

Negativo

  • Alguns combates repetitivos

Resumo

Thronebreaker: The Witcher Tales trouxe uma experiência muito boa, todas as ações que tomei e relações que fui adquirindo com os personagens, moldavam minhas decisões futuras. Essa construção da minha rainha Meve foi essencial para as escolhas que tomei. Essa é uma das grandes graças do game.
9

Incrível

Programador, hater e as vezes gamer.