fbpx

Análise | Tunche – Uma mistura amazônica

Análises Xbox One Xbox Series
8

Ótimo

Por muito tempo, fui um cara dos “AAA”. Só pensava nas grandes empresas como Capcom, Square Enix e Ubisoft. Por vezes, ignorei jogos indies por simplesmente achá-los (mesmo sem jogar) de “inferiores”. Ainda bem que, hoje, tenho um pensamento diferente. Graças a isso, consigo descobrir um universo de excelentes jogos. Uma dessas descobertas impressionantes é Tunche.

Desenvolvido pela LEAP Games Studios e publicado pela Hypetrain Digital, Tunche é um beat ’em up que tem como cenário a Floresta Amazônica. Com personagens cativantes, o jogo não é um mero briga de rua, mas uma verdadeira mistura de elementos de outros gêneros que dá muito sorte. O enredo envolto de lendas brasileiras e de outras regiões das Américas é o tempero adicional à receita do jogo.  

Desbravando as entranhas da floresta

A história do jogo acompanha um grupo especial de usuários de magia, cada qual com sua motivação e estilo único. São eles:

  • Rumi, a feiticeira
  • Pancho, o músico
  • Qaru, o garoto pássaro
  • Nayra the warrior
  • Hat Kid (convidada do game A Hat In Time)

Juntos, eles precisam adentrar a Floresta e derrotar os seres transformados pela influência maligna e mágica de Tunche, uma criatura formada por puro mal. Por várias fases, seguimos derrotando centenas de inimigos e mudando de cenários até derrotar o chefe da fase. E o ciclo segue, derrotando outras dezenas de inimigos e chegando ao final do jogo, onde é revelada a verdade sobre o vilão que dá nome ao jogo.

image-279360
Escolha sabiamente seu protetor da natureza favorito

Em nossas partidas, escolhemos os personagens Hat Kid e Rumi. De começo, achei que o estilo de batalha de Hat Kid não combinava comigo. Após algumas surras, decidi trocar para Rumi, que possui um alcance maior e é mais ágil, apesar de causar menos dano.

Em sua essência, ele é um Beat ‘em up clássico. Começamos a bater e bater em um apertar de botões sem fim. Porém, o jogo vai explicando aos poucos que não é assim que a coisa vai funcionar.

Tunche oferece um sistema de combos arrojados, que oferecem notas no melhor estilo Devil May Cry que vão de D a SSS. O jogador é convidado e, porque não dizer, forçado a executar os melhores pontos para conseguir boas pontuações. Com notas altas, você ganha pontos para gastar na evolução do personagem.

Explorando para conquistar tesouros

O jogo também emprega elementos de hack and slash. Além de massacrar nossos inimigos, exploramos as entranhas da floresta para conseguir material para dar upgrades em habilidades ou moedas para comprar poções para recuperar life.

Para aqueles que gostam de colecionar objetos, Tunche oferece uma variedade deles. Temos icônes que representam os inimigos, que possuem uma pequena chance de caírem ao derrotá-los. Para se ter ideia, alguns inimigos comuns no jogo só “droparam” o item depois de matar algumas centenas deles.

image-279361
Preste muita atenção nos tutorias para entender como funciona cada item ou upgrade. Se não o fizer, poderá desperdiçar uma melhoria importante no seu personagem.

Falando em matar centenas, o jogo não poupa a quantidade de inimigos na fase. A tela fica amarrotada deles, atirando pedras, cuspindo, explodindo e descendo a porrada em você. Por muitas vezes, você precisa encerrar um combo gigantesco porque um macaco safado joga uma fruta lá no fundo da tela. O melhor a se fazer é esquivar. Se o ataque não pegar, a nota do combo diminui, mas ela continua. Caso você receba um golpe, todo o seu esforço no combo é praticamente anulado.

Aquele punhadinho de Roguelite

Falando em um dos elementos da mistura, temos o roguelite. O jogo é extremamente punitivo, com muitos inimigos e pouca cura. São diversos os caminho a se seguir pela “masmorra” da floresta. O jogador precisa ponderar onde deve seguir. Talvez um caminho que ofereça experiência com dezenas de inimigos seja convidativo, mas outra rota oferece a possibilidade de conseguir itens de cura e upgrades.

Perdendo (acredite, vai acontecer com uma certa frequência), retornamos ao acampamento. Continuamos com nossas conquistas, o que possibilita dar upgrades nos personagens e comprar itens diversos. Às vezes, é até bom perder para voltar a vila e reorganizar seu estoque.

image-279362
Não é Dark Souls, mas você vai esquivar bastante se quiser chegar até o final

Eu disse “ás vezes”, pois como um roguelite de respeito, você perde terá que começar todo seu trajeto de volta ao chefão da fase, isso se você conseguiu chegar lá. Caso você não esteja forte o suficiente para derrotar o “boss”, você sofrerá bastante para diminuir os pontos de vida do maldito.

Outra coisa importante ao enfrentar os chefes é decorar seus padrões de ataque. A grande maioria possui três padrões, que vão mudando de acordo com a diminuição da barra de vida. É bom deixar avisado que os malandros vão te enfurecer, mudando uma sequência de golpes e te fazendo adaptar-se aos movimentos o mais rápido possível.

Como sou uma pessoa “calma”, quase explodi o controle do Xbox no chão de tanta raiva que passei na maioria das vezes. É possível que a presença de um amigo te ajude a derrotar o chefe, mas a única opção que o game oferece é co-op local. Com o isolamento e a correria do dia a dia, é difícil reunir quatro pessoas em um sofá para jogar.

Tunche e a escuridão dos pequenos problemas

Apesar do resultado final excelente, Tunche possuí algumas falhas. A primeira é a falta de diálogos falados. Não precisava ser um monologo narrado por um dublador. Podia até ser pequenos “bips” como Undertale ou uma língua aleatória ao estilo The Sims. Mas o silêncio em vários momentos, em especial na apresentação das extensas e interessantes histórias dos personagens, torna a experiência um pouco monótona.

Os cenários também carecem de um cuidado especial. Você segue por dezenas de “salas” na densa floresta / rio / mangue e esbarra em locais bloqueados. Pode ser uma barreira invisível ou uma área menor de movimentação. Também acontece de um elemento como um matagal ou pedra bloquearem seu caminho, mas estes mesmos elementos não causavam tal transtorno em outra fase.

image-279363
Já no primeiro chefe, você precisa ficar atento aos elementos do cenário e aos ataques em área

Em regiões comuns, é fácil acostumar com esses obstáculos. Mas e quanto aos chefes, que você precisa de pensamento e ações rápidas para evitar a morte certa? Frustra um pouco (para não dizer enlouquece) o jogador.

Apesar de ser um incentivo, o medo de perder tudo quase obriga você a jogar. Desligou o videogame, você volta para vila sem nada. No Xbox Series, a ausência do recurso Quick Resume faz você pensar duas vezes se quer parar a partida ou não. Várias vezes, deixei Rumi apanhar até a morte para voltar à vila. Isto porque se você escolher a opção “Voltar para a vila”, você perderá todas as suas conquistas. Logo, é melhor morrer lutando do que desistir. Bastante heroico, mas cansativo.

Ainda no Xbox Series, o jogo apresentou problemas na semana em que foi lançado. Travamentos constantes e encerramentos bruscos do jogo me fizeram perder muitas conquistas. Mas o problema foi corrigido com uma extensa atualização dias após o lançamento.

Um indie de respeito

Não canso de dizer, Tunche é uma mistura que deu muito certo. Os elementos de beat ‘em up, Hack and Slack e roguelite casam de um jeito incrível. Adicionado as possibilidades de upgrade dos cinco personagens, o título oferece um fator replay que instiga o jogador a seguir por outro caminho.

image-279364
Aprenda e reviva histórias do folclore de vários países da América do Sul

Mas a cereja do bolo é a Floresta Amazônica como pano de fundo. A equipe da LEAP Games caprichou na pesquisa, trazendo personagens, inimigos e cenários que representam as lendas brasileiras e da América do Sul como um todo. Somados a qualidade visual e boas animações em batalhas, Tunche merece a atenção dos jogadores brasileiros.

*Análise realizada no Xbox Series S com cópia fornecida pela Hypetrain Digital

Positivo

  • Cenário e enredo baseados no folclore amazônico
  • Ótimos gráficos com elementos desenhados à mão
  • Fator replay

Negativo

  • Alguns elementos nas fases dificultam a movimentação / Ausência de um modo online / A falta do recurso Quick Resume no Xbox Series
  • Ausência de um modo online
  • A falta do recurso Quick Resume no Xbox Series

Resumo

Uma experiência indie desafiante, Tunche traz uma mistura de beat ’em up com outros elementos que funciona bem. E o melhor de tudo, tendo a Amazônia como pano de fundo.
8

Ótimo

Jornalista, analista de mídias e sergipano com orgulho. Apaixonado por "quase" tudo que vem do Japão, em especial animes e jogos. Um eterno sonhador que sempre busca novos desafios!