Global Game Jam: 48 horas de criatividade e um relato de experiência

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A Global Game Jam é um evento anual de desenvolvimento de jogos que reúne profissionais de várias áreas e níveis diferentes de habilidade para criar um game em 48 horas – seja ele eletrônico ou não. Realizada desde 2009, a maratona criativa é uma excelente oportunidade para se conhecer gente nova e talentosa, estabelecer contatos, informar-se sobre o cenário independente do seu país ou de outros e, sobretudo, se divertir, seja produzindo ou jogando um título.

A edição deste ano, realizada entre 23 e 25 de janeiro, reuniu mais de 25 mil participantes espalhados em 78 países. Um sorriso não deixa de escapar ao ver a miríade de culturas que se une, mescla e confunde em torno de uma finalidade criativa. Países como Geórgia, Gana e Luxemburgo sediaram o evento, e à distância de um clique podemos descobrir uma nova visão sobre o ludus que tanto nos fascina.

Como de praxe, a organização da Global Game Jam elabora um tema como ponto de partida para as equipes desenvolverem seus conceitos, e, subsequentemente, seus jogos. Este ano, o tópico proposto foi uma pergunta: What do we do now? (“O que fazemos agora?”). A abrangência é benéfica, pois possibilita as mais diferentes interpretações acerca da proposta e, desta maneira, obtém-se rica variedade de games. Do mais colorido jogo de plataforma a card games e títulos de terror, a GGJ 2015 cumpriu seu propósito, disponibilizando mais de 5000 maneiras de se entender uma indagação em forma jogável.

Participantes da GGJ 15 do Egito, foto retirada do sítio oficial do evento.

Participantes da GGJ 15 do Egito, foto retirada do sítio oficial do evento.

Embora conhecesse a GGJ, nunca havia me disposto a trabalhar em uma edição sua. A oportunidade surgiu com o convite do amigo Gabriel Amoedo, programador e game designer, que se dispôs a vir a São Paulo para se reunir comigo e Thommaz Kauffmann, outro colega da área de áudio. Trouxe consigo de Belo Horizonte um artista, Victor Leão. Em quatro pessoas, estava formada a equipe.

As lições tiradas da experiência, positivas ou negativas, são muitas. Por exemplo, com prazo curto e pouca mão-de-obra, todo mundo assume um papel secundário, o que pode ser revelador. Entrei como compositor e sound designer e acabei saindo um escritor melhor, pois elaborei o conceito básico – que depois foi desenvolvido em grupo – e redigi o roteiro do game. Em termos reais, acaba sendo uma mistura de auto-descoberta com “queria sorvete, era feijão”. Meu companheiro de áudio tornou-se também level designer e programador, o artista deu dicas de referências musicais. Neste sentido, muitas vezes o universo dos games no Brasil – por meio da necessidade – acaba compreendendo melhor o significado de criação coletiva do que expressões artísticas bem estabelecidas aqui. Aprender a lidar com o trabalho em grupo, seja cobrando ou sendo cobrado, torna-se algo de suma importância, assim como programar um cronograma – o badalar do relógio torna-se ensurdecedor conforme o prazo final revela sua língua de fogo. No fim, o estresse foi substituído pela satisfação, embora a ciência da imprescindibilidade de uma revisão fosse clara em nossa cabeça.

O resultado final de meu grupo foi um game de exploração baseado em um relato do cineasta Akira Kurosawa em sua autobiografia. No livro, a mente por trás de Os Sete Samurais descreve sua experiência durante o Grande Terremoto de Kanto, evento que devastou Tóquio em 1923. A quem se interessar, eis o link para download do título.

O Brasil fez bonito na Global Game Jam 2015, produzindo 344 games (!) durante o evento. Confira a lista completa.

Jogou algum título desta maratona? Participou da GGJ e teve uma experiência que gostaria de dividir? Compartilhe conosco!

Brasileiro de estatura mediana, gosto muito de fulana, mas sicrana é quem me quer. Compositor, guitarrista e pesquisador de trilha musical de videogames, meti-me a falar de jogos e pretendo continuar nesta toada por um tempo.