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Análise | Schrodinger’s Cat and the Raiders of the Lost Quark

Análises PC Playstation 4 Xbox One

Você já deve ter ouvido falar da teoria do gato de Schrodinger, não é? Resumidamente o bichano envolve o universo quântico, e do gato “vivomorto”. Se é algo completamente novo para você, deixa eu tentar explicar: um físico austríaco descreveu que um gatinho, colocado dentro de uma caixa protegida, juntamente com um frasco de veneno pode estar vivo ou morto enquanto você não olhar. Isso cria duas realidades possíveis até que alguém abra bendita caixa.

Agora imagine um game que baseia-se nessa teoria, misturada a piadas para nerds de física e um jogo de plataforma com puzzles. Bem-vindo ao louco universo de Schrodinger’s Cat and the Raiders of the Lost Quark. (E Se sua curiosidade pedir por mais da teoria, dá uma lida nas “wikis” da vida.)

Os desenvolvedores da europeia Italic Pig se juntaram ao famoso Team17 Digital – dos caras que trouxeram Worms! Deu pra entender o porquê que se esperava tanto deste título? – para entregar uma proposta inusitada de plataforma 2D a uma nova geração de consoles. Schrodinger’s Cat saiu no final de 2014 na Steam, e deixou o público meio dividido, e somente agora para PlayStation 4 e Xbox One.

Nele você controla a personificação do famoso felino das realidades, chamado para resolver o caos no Zoológico de Partículas, onde é possível visitar todas elas em seu habitat natural. Até que um evento de proporções catastróficas faz com que todas escapem de suas jaulas. Eis que entra o felídeo, visando solucionar o problema e devolver as criaturas aos seus devidos lugares. Porém, você não estará sozinho! Graças à ajuda de quarks fofinhos, que combinam seus princípios transformando-os em ferramentas bem integrantes, que querem ajudar SCSchrodinger’s Cat para os íntimos – a solucionar toda a bagunça.

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Acho meio viagem demais? Calma, melhora antes de piorar. Ou será que piora antes de melhorar? O jogo mostra ser uber-nerd desde o início, mas a proposta de um game de plataforma, combinada a um sistema de quarks que se transformam nas mais interessantes ferramentas, prende qualquer fã do gênero. Ao menos, naquilo em que Schrodinger mais mandou bem, em teoria.

Vamos à pratica nobres cientistas videogamísticos? SC pula, anda e soca, como vários do gênero por aí, e para deter os inimigos iniciais, basta dar-lhes um bom soco quântico. Mas não é apenas uma questão de deter-los, é necessário devolve-los para suas jaulas. Com o objetivo de cumprir esta missão, os quarks estão divididos em quatro cores distintas e são combinados em grupos de três, utilizando um dos botões de cima do seu controle para criar combinações – sendo um botão para cada cor -, onde cada uma transforma-os nas mais diferentes ferramentas. Dentre as quais é possível criar uma rede voadora, para devolver partículas derrotadas às suas jaulas, escudo, defendendo-se das mais raivosas ameaças, uma distração musical ambulante, atraindo inimigos para longe, uma cama-mola, permitindo saltar mais alto, um quarkcoptero, que te faz voar temporariamente, e assim por diante. Ainda bem que o menu de pausa tem uma tabela com todas as combinações.

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Na medida em que você vai progredindo no game a história vai se desenvolvendo entre diálogos sem noção, piadas de teor nerd altíssimo e dublagens espetaculares – tiro meu chapéu para a atuação de voz, muito legal por sinal, e digna de animações de alto nível. A proposta do jogo é bem legal, os quebra-cabeças são vivos e envolvem diversos componentes do cenário, ou seja, a fórmula perfeita para um jogo digno do seu tempo, correto?

Bem, contudo, assim como o gato de Schrodinger, tudo é possível… até que você abra a caixa.

O início do jogo já mostra uma dura realidade, que quebra a esperança de quem queria algo para superar os tempos áureos dos jogos de plataforma. Os controles são MUITO problemáticos, e em vários momentos não respondem bem aos seus comandos, os inimigos iniciais são repetitivos e o sistema de socos pode ser justificado pela quantidade de tempo que o gato ficou dentro da caixa com o veneno. Há um ponto certo para socar os inimigos que estão em um ponto mais alto. Ou você acerta esse ponto, ou eles roubarão seus quarks até que você acerte esse local místico ao redor deles.

O pior é que você acaba se acostumando com esses problemas, e eles meio que se tornam parte da mecânica. Com isso, resistir a essas falhas iniciais ajuda a revelar algo que não dava para esperar. O jogo melhora! Uma pena que você tenha que se acostumar a falhas tão básicas para poder ver o lado divertido do título. E, ocasionalmente, é possível encontrar algum bug que te prenda a algum canto, mas mais um comando – pressionar o analógico direito – mata o gato e te devolve para o último save point, ou, como diria o próprio jogo, “o gato de Schrodinger está morto… Só que está vivo!”.

Daí, SE você resistir à tentação de largar o jogo no início, você encontrará novos desafios, fases e inimigos, e aí sim, valerá a pena o tempo investidos e xingamentos conferidos às falhas anteriormente demonstradas. Do meio para o final o jogo melhora até no humor, arranca boas gargalhadas e tem fases de fulga que são desafiadoras, testando sua agilidade com o bom sistema de quarks – que por sua vez, no início não faz muito sentido ter tantas combinações, todavia justificadas nos momentos finais.

Schrodinger’s Cat and the Raiders of the Lost Quark é um jogo com uma proposta bem inovadora, combinada a elementos clássicos e uma dublagem perfeita. Uma pena que tantos problemas iniciais possam estragar a experiência de quem se aventura nessa versão quântica do universo de títulos de plataforma. Ironicamente, é como se você tivesse que ver todo o lado complicado da física quântica para poder saborear de seu interessante aspecto e aplicações.

E aí, o gato vai estar morto ou vivo para você?

Games Editor, geek multi-classe e fã de esportes que acredita que bom mesmo é jogar games, pouco importa a plataforma.