Análise | No Man’s Sky

Análises PC Playstation 4

Eu não ia comprar No Man’s Sky, juro. Aliado ao fato de eu não ser um grande fã de jogos de exploração, boa parte dos diversos trailers exibidos pela Hello Games, o estúdio responsável pela obra, nunca trouxe grandes inovações na experiência. Se não fossem os vídeos mais recentes, cujas temáticas abordavam as mecânicas distintas do esperado “voar para lá e cá sem objetivo aparente”, certamente eu dormiria se entrasse nesse universo.

No entanto, confesso: ao perambular por meu primeiro planeta, fui dominado por um súbito desejo de descobertas – a história por trás dos Vy’keen, o primeiro povo com quem tive contato, em específico. Em meio a descobertas das mais diversas palavras, o inicialmente incompreensível idioma alien começava a tornar-se mais claro e, embora eu tenha aprendido dezenas de termos, “invasor”, “guerreiro” e “morte” eram frequentes em suas bocas largas e eventuais chifres.

Vy'keen

Daí, a não tão estranha coincidência do nome com a nação viking do nosso globo não estava apenas na pronúncia, bem similares no inglês. Ambos são povos guerreiros e orgulhosos, com costumes de sacrifícios aos seus deuses e testes de coragem ou moral. Os covardes que abandonam seus postos ou roubam de seus semelhantes são julgados fracos e incapazes, e o simples fato de você denunciar tais desvios de conduta acarreta em presentes, como dinheiro ou tecnologias, e aumento de reputação.

Esta sensação de conhecer uma nova cultura foi absolutamente inebriante. Infelizmente, durou bem menos de dez horas.

A fim de saciar minha sede de conhecimento, fui atrás de outros altares e ruínas. Passei por diversos “vilarejos”, boa parte deles abandonados, e notei o padrão arquitetural dos lugares, basicamente divididos em quatro tipos: abrigos simples com alguns contêineres, edifícios compridos com portas acessíveis apenas por um dispositivo que nunca encontrei (AtlasPass, eu te odeio), cápsulas de escape onde é possível comprar mais espaços para meu limitado (ao menos, no princípio) inventário, e fábricas.

Se você não conheceu o sistema de batalhas do jogo (ao menos, em terra firme) e quiser invadir uma delas, esta é a hora de frustrar-se, pois são simples, tediosas e, neste caso, fáceis de burlar – basta ficar lateralmente à porta lacrada e atirar nela. Eventualmente, uma sentinela (robozinhos voadores que estão presentes em todos os planetas, independentemente de galáxia ou sistema) desgarra e atira contra você, mas o dano é ridículo o suficiente até mesmo para se dar ao trabalho de desviar dos tiros. Ao entrar no recinto e ter sucesso em desligar o alarme, o restante das sentinelas lá fora te esquecem e vão embora.

Ao cansar de procurar em vão – salvos os lugares com habitantes sapientes – por mais saber, corri em busca da vida selvagem, sem sucesso. Descobrir flora e fauna locais pode ser divertido apenas para os amantes da exploração, pelo prazer de nomear suas descobertas e carregá-las nos “servidores” do jogo. Para mim, a maior utilidade dos meus recentes “amiguinhos” era a possibilidade de eles acharem e me trazerem objetos, geralmente elementos químicos. Mergulhar nas cavernas dos planetas, além de dar a chance de perder-se, era visualizar grandes câmaras de mesmice por distâncias a fio. Rapidamente, concluí que o subsolo em nada enriqueceria minha viagem, com exceção de toneladas de combustível para meu traje e nave.

Recorri ao comércio. Algumas mercadorias são, de fato, interessantes, como a adaga dos Vy’keen, pois ela é usada em alguns diálogos e desbloqueia mais vocábulos ou itens. A própria faca tem sua história, por ser uma arma cerimonial e parte da tradição desta civilização. Similarmente, o restante das sociedades também possuem símbolos de suas culturas, como o cubo de convergência Korvax ou o GekNip.

Abandonei minhas esperanças de absorver mais inteligência desta forma e retornei aos monólitos. Aprendi mais verbetes e conversei com outros Vy’keen, quando notei que não havia muito mais a aprender daquela sociedade – até mesmo porque é difícil esperar muito de cidadãos cuja frase preferida é “Morte! Morte! Morte! Morte! Espaçonave guerreira”.

Eis que caiu a ficha: é um trabalho muito maçante, chato e repetitivo progredir em No Man’s Sky, seja qual for seu objetivo. Em dez horas, a frase acima foi a única traduzida em sua completude e, antes mesmo de tal “vitória” poder ser comemorada, eu já conhecia suficientemente bem a raça. Enquanto esta era minha motivação, jogadores podem animar-se com biomas, mundos e etc. Porém, como boa parte dos games do gênero, você precisa encontrar seu fator motivador. Esperar por uma reviravolta é insistir tolamente em algo pouco engajador.

Mesmo assim, eu continuo jogando. Quero poder sentir aquela experiência outra vez. Continuo a fazer os mesmos procedimentos tediosos de angariar recursos apenas para viajar planetas “proceduralmente repetidos” com o propósito solo de apresentar-me a novos costumes e tradições e compreender.

Monolitos

Viajei por tantos mundos em No Man’s Sky, mas o único que visitei realmente interessante foi o do aprendizado. O centro do universo pode esperar.

Um simples desenvolvedor com textura realista que quer desligar a PhysX e sonha a 120 frames por segundo. Pena que a memória é baixa.