ANÁLISE | Dissidia NT Final Fantasy

Análises Playstation 4

Mais uma vez, a Square Enix joga sua franquia Final Fantasy em mais uma empreitada fora do seu elemento raiz, os RPGs. A série Dissidia é uma velha conhecida dos jogadores do saudoso Playstation Portable (PSP), se firmando como um jogo de luta spinoff  da franquia. Após Dissidia (PSP), Dissidia 012 (PSP) e do recente Dissidia Opera Omnia (iOs e Android), a franquia aporta no Playstation 4 com o Dissidia NT, reproduzindo o jogo de arcade com o mesmo nome lançado exclusivamente no Japão.

Saindo das batalhas em turnos para uma jogabilidade em tempo real mais agressiva, o título pega a essência do que já havia sido implantada nos jogos do PSP e amplia as possibilidades em diversos pontos, como as mecânicas, itens e dinâmicas de equipe, pois agora as lutas de Dissidia são travadas em disputas 3 versus 3. As implantações das novidades ficaram a cargo da parceria entre a Square Enix e a Koei Tecmo (através da equipe de desenvolvimento Team Ninja).

A mecânica do jogo aparenta ser simples, mas possui uma complexidade que pode afugentar os jogadores mais casuais ou impacientes. Em resumo, os lutadores possuem duas barras de vida. A primeira corresponde aos Brave Points, que são uma espécie de armadura de energia. Para diminuir esta barra é necessário usar ataques do tipo Brave, que são variados e mudam de acordo com o personagem. Esta variedade é um grande atrativo para experimentar jogar com todos os personagens. Após esgotar a barra de Brave, o lutador estará vulnerável aos ataques que tiram pontos da segunda barra, que correspondem aos Hit Points (HP).

As batalhas 3×3 com os personagens de Final Fantasy são o diferencial do jogo.

Além dos ataques, existem skills baseadas nas magias de Final Fantasy. Regen, Curaga, Poisona e muitas outras estão presentes no jogo e são um verdadeiro trunfo em vários momentos, com efeitos variados como recuperar Brave Points, confundir ou até cegar inimigos. Elas são customizáveis, podendo o jogador escolher até duas delas para compor a build do personagem.

Por fim, temos os conhecidos summons da série, como Ifrit, Shiva, Bahamut e etc. Antes de cada partida, o time deve escolher uma entidade para compor a invocação guardiã do time. Entre as batalhas, cristais surgiram aleatoriamente pelo cenário. Ao quebrá-los, os jogadores e rivais ganharão Summon Points utilizados para invocar as criaturas, que possuem habilidades diversas e ajudarão o time. Cada equipe pode invocar a criatura guardiã apenas uma vez na partida.

Os Summons de Dissidia são elementos-chave para a vitória.

Existem dois tipos de combates em Dissidia NT. Nas chamadas batalhas pelo Core, cada time possui um cristal para proteger. O time que destruir o cristal do inimigo primeiro ganha. Entretanto, os Core só sofrem dano se não houver nenhum personagem próximo a ele para protegê-lo. As partidas  se resumem a defender e atacar, sendo que o trabalho em equipe é fundamental para a vitória.

O outro tipo de combate é o Standard. É o típico mata-mata, onde o time que destruir os personagens dos adversários três vezes ganha. Simples, rápido e de longe o mais divertido dos modos de jogo. É tanto que nas jogatinas online, é muito mais fácil encontrar jogadores para partidas do tipo Standard.

A fantasia final deixou a desejar…

Muita coisa em Dissidia NT é digna da série da Square Enix. Os gráficos são lindos e fazem jus a um jogo do Playstation 4. As músicas são belíssimas, em sua maioria remixes dos clássicos da franquia. O leque de personagens é diverso, com classes diferentes que podem agradar todos os tipos de jogadores. Então, o jogo é excelente, correto?

Ai ai… Quem dera fosse… Causa uma dor imensa dizer que o jogo possui problemas. E eles são MUITO graves.

Buscando encher os olhos com maravilhosos gráficos e elementos espalhafatosos característicos dos títulos mais recentes da série, o jogador pode ficar perdido em meio a tantas explosões, invocações e magias. Ainda mais com SEIS personagens na tela, o que já é uma verdadeira poluição visual com tantas barras, números e informações. Mesmo com marcadores, linhas de direção e um insuportável Moogle berrando instruções para o jogador, isso não salva a frustração do jogador em não saber o que está acontecendo na tela. Juro, precisei de pelo menos 12 horas para aprender (para não dizer adivinhar) o que está e irá acontecer nas batalhas. É preciso ter muito, mas muito amor pela série Final Fantasy para continuar jogando o game por longos períodos.

Demora um bocado para o jogador se acostumar com tantos elementos na tela.

Embora eficiente, os controles de Dissidia NT são bastante complexos. Um longo tutorial tenta ajudar o jogador a entender o que está acontecendo. Mas acredite, mesmo com muita explicação, apenas a prática leva a perfeição. E é preciso MUITA prática. Mesmo contra a CPU, o jogo não alivia na dificuldade e após algumas horas, todas as partidas importantes para prosseguir no jogo serão de nível Platinum ou Diamond (sendo que o nível Bronze é o modo fácil).

Parece fácil, mas dominar os comandos de Dissidia NT é algo muito difícil.

Os cenários do game também não ajudam na jogatina. Alguns são ótimos, mas a grande maioria são extensos e com elementos que bloqueiam os ataques. Uma prática lamentável nas partidas Online é utilizar personagens especialistas em ataques a longa distância, causa um estrago relativo no adversário e ficar correndo pelo cenário até o tempo da luta acabar. Acredite, isso acontece MUITO.

E aproveitado para falar das partidas online, só posso dizer o seguinte… O jogo possui o pior Netcode que já vi em muito tempo. Os lags são constantes e tornam muitas das partidas insuportáveis. Não adianta os elementos a exemplo do Ping ou se a pessoa possui um a conexão similar a sua. O medo do Lag é uma constante em Dissidia NT. Desde o lançamento do game, seis atualizações aconteceram, sendo a última realizada no dia 23 de março. Até agora, nenhuma corrigiu os constantes problemas.

O modo Story é uma das melhores coisas do título. O enredo interessante, com elementos dos jogos anteriores do PSP, cutscenes bem animadas e diálogos fantásticos. Porém, ele possui um problema fatal. É preciso desbloquear cada os capítulos com cristais ganhos com a jogatina, os chamados memorias. Ou seja, você necessariamente terá que interromper a narrativa do modo Story, jogar partidas Offline ou Online para conseguir novos cristais para poder continuar acompanhando a história.

Os belíssimos gráficos de Dissidia NT são um presente para os fãs da série.

VEREDITO

Dissidia NT Final Fantasy é uma mistura de amor e ódio pela franquia de RPGs. O amor encontra-se em todos os mimos e detalhes que fazem o fã da série suspirar e se divertir ao jogar, sejam os elementos desbloqueáveis, as músicas ou os gráficos. O ódio está na falta de cuidado em deixar a jogatina interessante, fácil e divertida. É um título regular beirando ao bom, mas faltou muito para que ele fosse um excelente jogo digno do legado de Final Fantasy.

Jornalista, analista de mídias e sergipano com orgulho. Apaixonado por "quase" tudo que vem do Japão, em especial animes e jogos. Um eterno sonhador que sempre busca novos desafios!