Análise | The Witcher (Netflix)

Análises
7.5

Bom

Doze anos atrás, eu conhecia The Witcher de forma despretensiosa. Estava em busca de um RPG para jogar no PC, mas nada me parecia muito interessante até ver a cinemática abaixo.

Cinemática de introdução The Witcher 1

Hoje, depois de tantos jogos, livros e quadrinhos, me revi testemunhando a mesma cena da corrente, nas mãos de um Henry Cavill que me colocara dúvidas como Geralt até o primeiro segundo da série (evitei quase todos os trailers por motivos de “não alimente o hype”). Sim, The Witcher ainda consegue me surpreender positivamente.

Henry Cavill de Rivia

Embora Cavill tenha feito um trabalho primoroso ao extrair a essência do personagem e transmiti-la tão bem na tela (como trejeitos, o combate “giratório” de espadas e até a voz profunda de Doug Cockle, que dá vida a Geralt nos games), os merecidos destaques também devem ser estendidos a outros atores.

Certamente, Freya Allan (Cirilla) e, em especial, Anya Chalotra (Yennefer) fizeram um bom papel, porém atores como MyAnna Buring (Tissaia) e Joey Batey (Jaskier) roubam a cena sempre que aparecem. A relação do último com Geralt na série, por exemplo, é como se arrancassem a representação que ocorria em minha mente durante as leituras e colocassem nos episódios. O rapaz é tão irritante e, ao mesmo tempo, adorável que os versos grudentos de “Toss a Coin to your Witcher”/”Dê um trocado pro seu bruxo” caem como uma luva para defini-lo.

Música “Toss a Coin to you Witcher”, versão original

De forma similar, o trabalho de produção é bem eficiente, com belos e variados cenários. A floresta de Brokilon é linda (mas pouco trabalhada), o palácio de Cintra emana o orgulho de sua rainha e pântanos causam aflição. O figurino, embora apenas honesto, faz um sutil papel de informar ao espectador quem é mago, nobre ou a hora de correr quando surgem as armadura negras nilfgaardiana. As grandes batalhas deixaram um pouco a desejar, porém os combates individuais ou em pequenos grupos são muito bem coreografados (palmas novamente para Cavill).

Três linhas temporais para três protagonistas

Como nem tudo são flores, a série também tem seus problemas, sendo o pior deles o de não conversar muito bem com o público. A reclamação mais recorrente em sites e fóruns está em como a cronologia é narrada, e eles têm toda a razão. Ainda que os dois primeiros livros (O Último Desejo e A Espada do Destino) sejam essencialmente compostos por contos interconectados, o modo como são exibidos deixou até a mim confuso no início. Apenas com o passar dos episódios, descobre-se que cada história de personagem está em um tempo diferente, sendo a Yennefer mais ao passado e a Ciri mais à frente.

Outro defeito é como muitas coisas acabam com pouca ou nenhuma explicação. Termos como Conjunção das Esferas, Melitele e Ban Ard, por exemplo, são jogados ao vento, enquanto outros acontecimentos ou conversações são puro e simples furo de roteiro. Aliás, furos também acontecem na pós-produção (edição e CGI), com direito a cenas repetidas ou alguns efeitos meia boca.

Trailer The Witcher

Não adianta fugir do destino

Além disso, fãs dos jogos e, em especial, dos livros vão achar incongruências ou escolhas de roteiro um tanto difíceis de engolir. Mesmo assim, a série consegue brilhar muito além do esperado, com ótimas atuações e uma trama que, quando a narrativa começa a tomar forma, é interessante. Para uma primeira temporada – uma notória introdução para as próximas que estão por vir – está muito bom.

Para estes mesmos que citei acima, vale lembrar: por todo esse tempo, tivemos a visão de Geralt em The Witcher. Porém, a série busca mais que isso. Mais que as lâminas do Lobo Branco, é a voz de Jaskier, a magia das Feiticeiras, os cuspes da população, o sangue dos monstros, o poder de Yennefer, o amor de Ciri. É, principalmente, o destino que une tudo isso. E, sem dúvidas, destino é a palavra-chave para essa saga.

Positivo

  • Personagens secundários conseguem roubar a cena sem ferir a integridade dos protagonistas
  • Êxito em transpor o universo de The Witcher para o formato televisivo
  • Bom equilíbrio entre fidelidade aos livros e adaptações para a série
  • Surpreendente atuação de Henry Cavill no papel de Geralt

Negativo

  • Trama dividida em três linhas narrativas confunde o espectador de início
  • Alguns furos de roteiro atrapalham a construção de alguns personagens
  • Pós-produção falha em alguns pontos, como CGIs oscilantes e falhas de edição

Resumo

Uma boa série que, mesmo com alguns tropeços, consegue entregar a fãs e marinheiros de primeira viagem um cenário próximo do que vemos em jogos e, em especial, livros. Destaque por não se concentrar em Geralt e expandir nossa visão para outros protagonistas.
7.5

Bom

Um simples desenvolvedor com textura realista que quer desligar a PhysX e sonha a 120 frames por segundo. Pena que a memória é baixa.